Camisas

Camisa 2017:

Arte: Diogo Monteiro (ator, acrobata e artista plástico)

Em 2017, o Gigantes da Lira escolheu, por conta dos momentos difíceis do país, adotar como tema carnavalesco “Singeleza gera Singeleza… Seja como flor!”. O convite a Diogo Monteiro, já havia sido feito para ilustrar a camisa do bloco. Desenho e tema acabaram se encontrando em meio à criação.

Formado na Escola Nacional e Circo (2011), na Escola de Teatro Martins Pena (2005) e em desenho artístico pelo SENAC-RJ (1999), Diogo é integrante do elenco da Intrépida Trupe desde 2011, tendo participado de diversos espetáculos como ator, além de ter realizado trabalhos em artes visuais, como a cenografia em “Uísque com Água”, adaptação da obra Pulp, de Charles Bukowski. Em 2015 e 2016 assinou a direção de arte do Casa Cais na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Atualmente dedica-se à pesquisa da mescla de linguagens artísticas na cena, assim como à produção de seu primeiro livro autoral como escritor e ilustrador.

Ainda dentro da Escola de Circo, pesquisando palhaçada, Diogo esbarrou com a figura do Doutor Giramundo que, no futuro, veio a descobrir ser a Yeda Dantas, fundadora do Gigantes da Lira. “Estudando um pouquinho mais, descobri o Gigantes e me apaixonei”, afirma.

Eu costumava dizer (que tolice!) que eu não gostava de carnaval. Quase como se me faltasse entender alguma coisa. Lembro de, há uns anos, estar de nariz no Gigantes, me divertindo e pensando: Não é que eu amo carnaval?!

“Eu me senti lisonjeado, com o convite da Yeda. Representar com meu traço um dos blocos mais tradicionais e encantadores do Rio! Já no dia me veio a ideia de um bloco em movimento onde eu pudesse resgatar a mescla de crianças, músicos, palhaços, etc. Yeda contribuiu com outras ideias lindas e adicionou a camada da temática “Singeleza gera Singeleza”. Pra mim, foi a cereja do bolo. Desenho finalizado, pintei em aquarela camadas e mais camadas de cores. Espero ter feito jus ao convite”, conta.

Diogo costuma dizer que o carnaval de rua nunca vai acabar: “É uma manifestação espontânea do povo para o povo, democrático por natureza. Um pouco em oposição ao carnaval “competitivo” de desfiles oficiais, no carnaval de rua todos são alegóricos, reis e rainhas de si mesmos, o que confere uma beleza ímpar, quase selvagem, às ruas. Eu acho de uma poesia quase inacreditável”, conclui.

Site: www.diogomonteiro.com
F
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Instagram: @dgmonteiro

 

Camisa 2016:

layoutcamisa-2016'Arte: Jefferson Barbosa (artista plástico, educador e palhaço)

jeffersonbarbosaNo ano em que o Gigantes da Lira completa seu 18º ano, foi convidado para ilustrar a camiseta do bloco o artista plástico, educador e palhaço Jefferson Barbosa, morador das Laranjeiras e um dos integrantes fundadores do bloco. Jefferson Iniciou sua formação em teatro em Angra dos Reis com o grupo Revolucena, cursou licenciatura plena em artes cênicas pela Uni-Rio e atualmente faz pós-graduação em Arteterapia na Clinica Pomar.

Jefferson, que também encarna o palhaço Catavento, esteve presente no movimento Gigantes da Lira desde o começo de sua trajetória. “Conheci e trabalhei com Yeda Dantas e Beto Brown no grupo Tem Palhaço Dando Sopa. Com o término do grupo, Yeda criou a banda de palhaços Fuzarca da Lira e logo após o Gigantes da Lira e seus movimentos, como o Auto de Natal, Festa Junina e a peça “Solteira nunca mais”, relembra.

O carnaval é um momento em que a alegria é compartilhada e em que os verdadeiros foliões não abrem espaço para a discriminação e o preconceito. É um grande encontro da paz onde a música, o lúdico, a crítica, a imaginação e criatividade são elementos integradores.

A partir do enredo “Mamãe eu quero voar!”, escolhido pelo bloco para celebrar a sua maioridade, Jefferson procurou nas fotos e lembranças das saídas anteriores do bloco inspiração para criar as imagens que compuseram a camiseta. “Os personagens, de alguma maneira, através das fantasias, estabelecem relação com o sonho de voar”, afirma.

 

 

Camisa 2015:

 

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Arte: Paulo Villela (artista plástico)

paulo2Paulo Villela, ilustrador da camisa 2015 do Gigantes, nasceu no Rio de Janeiro e desde cedo é interessado em artes em geral. Dentro dessa tendência, formou-se arquiteto pela Universidade do Brasil, mas sempre com grande atração pelo desenho e pintura, caminho que passou a trilhar em definitivo após alguns anos. Foram momentos decisivos em sua carreira ser aluno de desenho de Ubi Bava na faculdade, frequentar o ateliê de Abelardo Zaluar quando ainda envolvido com a arquitetura e ter aulas com Aluisio Carvão no Museu de Arte Moderna.

Entre as exposições individuais que realizou destacam-se a do Museu Nacional de Belas Artes, as da Galeria Matias Marcier, Oficina de Arte Maria Teresa Vieira, Studio 999, SESC Copacabana, Espaço Cultural Correios e Espaço Cultural Mauá e Botequim, onde em 2007 já apresentou um trabalho sobre o carnaval.

Nos seus trabalhos, utiliza de tudo: acrílico, vinil, aquarela, pastel, lápis de cor, lápis de cera, colagens. Para a camisa do Gigantes da Lira, pintou um lindo cenário em lápis de cera com crianças brincando sob laranjeiras, inspirado pelo lirismo do bairro e do grande poeta nacional Casimiro de Abreu: “Recebido o convite para realizar o trabalho, imediatamente lembrei-me dos inesquecíveis versos de Casimiro de Abreu: ‘/ saudades que tenho/ da aurora da minha vida/…./daquelas tardes fagueiras/…./debaixo dos laranjais/’. Pronto, estava dada a pista, era só reler Casimiro e desenhar”, revela Villela.

Perguntar de carnaval a um carioca? É festa importantíssima que consubstancia a alegria desta cidade. Sem o carnaval, que seria do Rio de Janeiro?

Morador antigo de Laranjeiras e frequentador assíduo do Luizinho Drinques, Villela não poderia deixar de conhecer o Gigantes da Lira, assistindo sempre ao desfile, “uma joia na tradição desta cidade”. E foi assim que, apresentado pelo mesmo Luizinho a Yeda Dantas, mentora do Gigantes, firmou-se a parceria. O desenho de Villela ainda ilustra muito bem o tema do bloco em 2015, “Na sombra das Laranjeiras, a rua é nossa!”, que mostra e elucida aos foliões a delícia do ato de brincar na rua, num exercício de apropriação do espaço público pelas crianças.

 

 

Camisa 2014:

Arte: Lívia Martins (publicitária/designer)

Quem assinou o layout para a edição de 2014 da camisa do Gigantes da Lira foi a designer pernambucana Lívia Martins. Formada em Publicidade pela Universidade Católica de Pernambuco, se mudou para o Rio de Janeiro em 2007 para fazer pós-graduação em Design de Estampas pela SENAI/CETIQT. Morou inicialmente no bairro de Laranjeiras, motivo que a fez ganhar um apego especial pelo bloco. “Eu gosto de acompanhar o desfile e, mais do que isso, eu gosto de assistir a interação do Gigantes com as ruas arborizadas daquela área. As cores, as fantasias, os confetes no chão, os moradores nas janelas, tudo fica mais bonito ainda nesse dia”, conta.

Esse não foi o seu primeiro trabalho com criação de estampas para o carnaval do Rio. Lívia também foi a responsável pelo desenho da camisa do Imprensa que Eu Gamo, em 2012, e do Suvaco do Cristo, no ano seguinte. “Antes disso eu trabalhava dando os últimos “retoques” nas camisas de outros artistas e designers em outros blocos, adaptando a arte para que na estamparia corresse tudo bem em relação às dimensões, cores, telas, etc”, afirma.

O Gigantes da Lira é um bloco que para mim é poesia. E o carnaval para mim é rua. Eu cresci no carnaval de Olinda e do Recife e a rua é palco para o carnaval. Não dá nem para explicar isso. É coisa que se sente.

A imagem de bobo da corte foi baseada no tema adotado para o bloco em 2014. A ideia surgiu a partir do Boneco Gigante que acompanha o bloco desde 2000, seu segundo ano. Construído por Aluízio Augusto, possui 3 metros de altura, à semelhança dos bonecos folclóricos do carnaval de Olinda.

Segundo Yeda Dantas, fundadora do Gigantes da Lira, a intenção foi “se voltar para a figura do bobo fazendo uma alusão e homenagem a todos nós, palhaços e foliões. Assim, estamos revivendo a tradição dos palhaços como aqueles que historicamente tinham a liberdade e a coragem de falar de nossas mazelas e trazer a verdade aos reis, sem hipocrisia”. Para Lívia, “foi um presente, foi delicioso pensar sobre o tema, pesquisar referências, trocar imagens. Foi tudo muito gostoso e esse é o verdadeiro intuito da coisa toda do carnaval”.

Camisa 2013:

Arte: Claudia Bolshaw (designer/artista plástico)


Ilustrar a camisa do Gigantes da Lira em 2013 não era tarefa fácil, afinal, nesse ano o bloco mirim celebrou os seus 15 anos. Foi a artista e produtora Claudia Bolshaw quem encarou o desafio. “Foi dificil, achei que deveria agradecer e homenagear a todos os palhaços do bloco e quase fiquei maluca com tantas fotos e tantas pessoas importantes”, relata. O resultado foi uma camisa que é um mosaico com as mais representativas fotos dessa história.

Depois que vi a camisa pronta, nas crianças, na bandinha, fiquei muito emocionada.

Claudia é professora do Departamento de Artes e Design e coordenadora do NADA – Núcleo de Artes Digitais e Animação na PUC-Rio desde 2002. Além de ter trabalhado como produtora na área, dirigiu duas animações para o Planetário da Gávea (“Infinitum”, em 2010, e “Buga Buga”, em 2013). Ela relembra quando conheceu o bloco, ainda no seu primeiro ano: “Os Gigantes bateram na minha porta pedindo para colocar uma faixa chamando para o Carnaval. Foi paixão a primeira vista. Me considero sócio fundadora do grêmio recreativo dos Gigantes da Lira, com muito carinho.”

A artista destaca a importância do Gigantes da Lira e do carnaval de rua atualmente: “Hoje vou a poucos blocos, mas gosto muito do clima e da alegria da rua. Antes de 1999, ou seja, antes do Gigantes, eu havia desistido do Carnaval, pois não me interesso por escolas de sambas.”

Camisa 2012:

Arte: Eduardo Andrade (palhaço Dudu/designer)

Palhaço Dudu (2)“Viva a Natureza das Crianças” foi o tema que inspirou o carnaval do Gigantes da Lira em 2012. Com ele, nasceu também o divertido personagem de uma esperança, que aparece desenhada na camisa do ano. A ideia de Yeda Dantas, fundadora do bloco, foi transformar o mundo com alegria e esperança e verdadeiramente vestir esta camisa. “Com estas brilhantes ideias que me foram apresentadas, o caminho já estava traçado e daí a fazer o desenho foi um pulo”, conta Eduardo de Andrade Oliveira, responsável pela ilustração junto a seu parceiro de trabalho Gabriel Batista.

Eduardo é ator e palhaço profissional, o palhaço Dudu, desde 1988, formado em Desenho Industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial (UERJ) e Mestre em Design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio De Janeiro (2007), onde trabalha como professor colaborador no Departamento de Artes e Design.“Por ser palhaço e ter dois filhos, que eram pequenos no início do Gigantes da Lira, participar do bloco sempre foi o melhor programa do carnaval. Sou amigo de Yeda há muitos anos, acho que desde 1988, quando estávamos no início da formação da Intrépida Trupe e ela estava sempre presente em nossos encontros. Foi nos apresentada pelo palhaço Xuxu, o ator Luis Carlos Vasconcelos. Desde então foram muitos encontros felizes”, relembra.

Não sou um grande folião, mas adoro a alegria contagiante dos blocos de rua e um bloco como o Gigantes tem e sempre terá seu espaço garantido no coração dos foliões, principalmente daqueles que querem se divertir com seus filhos num espaço seguro, tranquilo e principalmente feliz.

1922197_10202983910855894_71192457_nQuando assumiu o trabalho com a camisa, Eduardo tentou “criar uma identidade que ilustrasse dinamismo e alegria, com cores vibrantes e a simpatia estampada no rosto do personagem”. Deu tão certo que a esperança virou mascote do Gigantes e ganhou também uma versão com um lindo boneco de vara feito com garrafas pet, que hoje participa dos eventos do bloco. O lema do ano, “Viva a natureza das crianças” também foi transformado num slogan do bloco, através do estandarte produzido pela artista plástica Cristina Salgado.

 

Camisa 2011:

 

Arte: Mariana Massarani (ilustradora de livros infantis)

 

Camisa 2010:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Arte: Egeu Laus, com desenhos de Nássara  (homenagem ao seu centenário).

Egeu Laus1Egeu Laus é  designer de formação, trabalha como gestor cultural e sempre se interessou pela cultura brasileira de modo geral e, em especial, pela história e memória da música brasileira e das artes gráficas. Com dedicação de anos à pesquisa desses assuntos, guarda hoje um grande acervo de discos LPs em 10 polegadas, bem como de rótulos de cachaça, já tendo realizado várias exposições sobre os temas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Quando fui convidado pela Yeda para produzir a camiseta do Gigantes percebi que acontecia uma incrível coincidência: era o centenário de nascimento do Nássara, um morador de Laranjeiras, compositor de carnaval e desenhista com caricaturas incríveis! Estava pronto o tema: as caricaturas de músicos que Nássara produziu junto com os nomes das suas marchinhas carnavalescas.

2010 (4)-horzMorador de Laranjeiras há mais de 20 anos, além de amigo de Yeda Dantas, criadora do Gigantes da Lira, Egeu sempre possuiu uma relação com o bloco. Segundo ele, “carnaval de rua é a alma carioca para sempre!”. O interesse de homenagear Nássara na camisa do Gigantes surgiu por conta de uma pesquisa que ele realizou anteriormente sobre a história da caricatura no Brasil para um artigo na revista de cultura do Centro Cultural Banco do Brasil, período em que também descobriu a produção musical do artista, um compositor por excelência das marchinhas de carnaval.

“Antonio Gabriel Nássara é um dos maiores representantes do espírito carioca, um boêmio dos bares, mas que também era um artista gráfico que juntava um traço genial com as suas composições de marchinhas de carnaval que são clássicas até hoje, como Ala-la-ô, Formosa, Balzaqueana e outras tantas”, afirma Egeu. Curiosamente, houve um encontro fortuito: “Cheguei a conhecê-lo descendo a rua General Glicério, já com mais de 80 anos, em seu terno branco, cabelo bem penteado, sempre sorridente”, relata.

Camisa 2009:

 

Arte: Regina Yolanda (pintora e ilustradora de livros infantis com prêmios internacionais).

6029422039_933e66171fRegina Yolanda Werneck, autora e ilustradora de livros infanto-juvenis, é mestre em Educação pela UFRJ, especialista em Conhecimento da Ilustração na Literatura Infantil – título conferido pelo Internacional Board on Books for Young People – IBBY (Unesco) com sede em Basiléia, na Suíça. Durante alguns anos, foi representante do Brasil no Comitê Executivo do IBBY e, mais tarde, vice-presidente desta organização. Trabalhou 50 anos em educação de base, priorizando sempre a expressão criadora na leitura de imagens e na composição escrita. Foi membro do Conselho Consultivo da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil no período de 1980 até 2003. Além de seus próprios títulos, ilustrou livros de importantes autores de literatura infantil, como Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes e Rogério Andrade Barbosa.

Para Regina, a época do carnaval é repleta de memórias. “Meus pais saiam em todos os carnavais pela rua afora e comecei a participar ainda muito pequena, criança de colo. Minha avó então passou a proibir e a ficar comigo e meus primos durante a festa. Mais tarde, ainda muito jovem, retornei a frequentar alguns blocos que, na época, eram muito pequenos, e conheci meu companheiro, Aristides Saldanha”, relembra. Naquele ano de 1951, seu pai, Paulo Werneck – ilustrador de livros infantis, introdutor da técnica do mosaico no Brasil e carnavalesco ao ponto de desfilar com quase 80 anos de idade na Portela –, pediu que Aristides tomasse conta dela em um baile de carnaval. Aristides tinha convites para o Baile do Hotel Gloria e, desde então, se iniciou o romance e uma história de vida que rendeu três filhos artistas – Paula, Gaspar e Claudia Saldanha. “Até hoje fico muito emocionada quando ouço um samba de enredo ou as primeiras batidas das baterias do carnaval de rua carioca”, afirma Regina com emoção.

 Eu tinha poucos dias pra fazer o desenho, pois as camisetas teriam que ser estampadas logo. O resultado saiu muito rápido. O desenho, coloridíssimo e alegre, é bastante carnavalesco.

Yeda Dantas e Regina Yolanda brindam ao convite para fazer a camiseta 2009

Yeda Dantas e Regina Yolanda brindam ao convite para fazer a camiseta 2009

A aproximação com o Gigantes da Lira se deu através de André Motta Lima, que ela conhecia desde menino, ao ponto de acolhê-lo em sua casa quando os pais dele se exilaram do país em 1964. André, marido de Yeda Dantas, criadora do Gigantes da Lira, a convidou para desenhar a camiseta de 2009. “O desenho lembra a imagem do rosto que tenho da minha ‘tia’ quando mais jovem”, conta emocionado. “Acho que ela se incorporou ao estilo infantil que sempre a conduziu, nas ilustrações e na alma, sempre alegre e brincalhona”.

Camisa 2008:

Arte: Ziraldo

Taí! O Gigantes da Lira é um bloco que nasceu no meu bloco de desenho. E veio com as crianças e a família toda! Cheio de som e de alegria!

foto: Mônica Imbuzeiro/O Globo

foto: Mônica Imbuzeiro/O Globo

O autor da ilustração da camisa do Gigantes da Lira em 2008 dispensa grandes apresentações; Ziraldo é hoje um ícone da cultura brasileira, assim como os personagens que ganharam vida através de seus traços. É de suas mãos que surgiram vários dos nomes que hoje fazem parte do imaginário das crianças, como o Menino Maluquinho, a Turma do Pererê, o Bichinho da Maçã, etc. Ser autor de histórias em quadrinhos era um sonho seu de infância. Ele foi o responsável pela publicação da primeira revista brasileira do gênero feita por um só autor, reunindo a turma do Saci-Pererê, durante a década de 60.

Não é apenas por sua relevância no universo infantil brasileiro que Ziraldo tem tudo a ver com o bloco dos foliões-mirins. O artista também sempre gostou e marcou presença em carnavais. Ele foi um dos primeiros a desfilar com a Banda de Ipanema. Segundo ele “foi a partir da Banda de Ipanema que o carnaval de rua renasceu no Rio. Tinha acabado”. Além disso, já recebeu algumas homenagens de escolas de samba; seu livro FLICTS virou enredo de uma escola em Juiz de Fora e também já desfilou no alto de um carro com um enorme Menino Maluquinho.

ziraldoacertada001A influência de Ziraldo porém não se explica apenas por ai. Nos anos 60, seus cartuns e charges políticas começaram a aparecer na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Personagens como “Jeremias, o Bom”, a “Supermãe” e, posteriormente, o “Mineirinho” tornaram-se muito populares. Durante a ditadura militar no Brasil o cartunista cumpriu papel de resistência dando colaboração a movimentos sociais e fundando, junto com outros humoristas, o jornal O Pasquim, marco na história da imprensa brasileira por ter sido um dos principais meios a dar voz à população, mesmo após o decreto do AI-5. Inúmeros cartazes políticos de Ziraldo, sempre feitos gratuitamente, ajudaram a mobilização de trabalhadores e a resistência à ditadura.

A colaboração de Ziraldo com ilustrações para camisas de carnaval é grande. Ele afirma haver mais de 100 peças diferentes feitas para o tema. “Todo ano é essa farra, eu fico esperando o carnaval para fazer, e já fico preocupado e pergunto: cadê as encomendas, será que ninguém vai fazer camisa esse ano?”, brinca. “É uma honra, todo mundo gosta de fazer”, declarou o desenhista para uma reportagem no jornal O Globo.

Camisa 2007:

 

Arte: Gamba Junior  (designer, formado em desenho industrial e professor na PUC-RJ)

1624472_10202983723931564_1525989426_nAssim como o Gigantes da Lira, Nilton Gonçalves Gamba Júnior, responsável pela ilustração da camisa do bloco em 2007, une em sua vida a paixão por carnaval, teatro e circo. Graduado no curso de Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes da UFRJ, com mestrado em Design e doutorado em Psicologia, estudou também acrobacia e artes cênicas com vários grupos e escolas. Seu objetivo é trabalhar com a imagem “no contexto da produção ficcional, realizar um estudo da criação narrativa”. Dessa forma, segundo ele, “as diferenças entre os veículos não são uma barreira, um limite, mas sim, uma possibilidade de mesclas. Isso me permite trabalhar com ilustração editorial,                                                       animação, teatro e circo, em diversos modelos de hibridismo.”

“Quando vejo uma performance feita por um bancário bêbado no final de um bloco, ainda com os restos de uma fantasia de bailarina, me sinto por vezes mais perto da Arte do que em situações de mercado e convencionalizadas”, exemplifica. Como aficcionado pelo carnaval do Rio de Janeiro desde criança, era natural que Gamba Júnior se encantasse com o desfile dos Gigantes da Lira.

 O Gigantes sempre teve um charme a mais pelo seu vínculo com o universo do circo. Meu trabalho de criação teatral e artística, de uma maneira geral, sempre tem origens na experiência dionisíaca do carnaval.

“Creio que o carnaval, desde sua origem, tem a função de ser um rito de relativização da realidade”, pondera o artista. “No Brasil, esses dias de Momo são mais intensos por conta do que há de melhor em nosso DNA ‘antropofágico’: a capacidade de subverter, inverter e transgredir. Para mim, carnaval de rua consegue ser ao mesmo tempo festa, sátira, denúncia, perversão, comunhão e, acima de tudo, expressão”, acrescenta.

O convite para realizar o trabalho com o Gigantes veio através da sua amiga a Professora Cláudia Bolshaw, que o apresentou a Yeda, fundadora do bloco (a própria Cláudia acabaria por criar a camiseta de 2013).  Em seu desenho, Gamba buscou o vínculo do Gigantes com as crianças através do mote da delicadeza do “diminuto”. Para isso, se utilizou de um personagem muito pequeno, além do volume da ilustração ser dado pelos confetes, elementos também pequenos; nem a perna-de-pau salva tudo dessa delicadeza formal. “O convite me comoveu muito pelo respeito que tenho por Yeda e pela memória afetiva com o Gigantes, em um âmbito mais específico, e do carnaval em um plano mais amplo. Sempre agradeço à Cláudia Bolshaw pela ideia. A maneira que tive de agradecer foi ilustrar minhas emoções em relação a isso tudo e representar como frequentemente me sinto diante do carnaval: um menino deslumbrado”, resume.

Camisa 2006

 

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Arte: Allan Sieber (cartunista)

Captura_de_Tela_2011-08-19_às_18.25Allan Sieber, nascido em Porte Alegre, é autor de quadrinhos, cartunista e diretor de animação. Estudou até o 2º grau e desde 1992 trabalha profissionalmente com animação e cartuns/quadrinhos, tendo criado em 1993 o seu próprio zine, Glória, Glória, Aleluia! Desde então, se tornou conhecido por suas séries de tirinhas, tais como Bifaland, A Cidade Maldita e Preto na Branco, com veiculação nos jornais Estadão e Folha de São Paulo. “Cresci numa casa com muito papel e lápis. Meu pai desenhava para a publicidade nos anos 40 e 50, num tempo em que se usava muito o desenho feito à mão na publicidade. Ele também gostava de quadrinhos e sempre tinha uns gibis guardados em certos lugares estratégicos”, conta o autor.

Além dos quadrinhos e da ilustração, Sieber também realizou incursões cinematográficas em produções de animação como O Homem que Copiava e Deus é Pai, curta premiado em Gramado em 1999. Nesse ano, que também foi o primeiro em que o Gigantes da Lira saiu pelas ruas de Laranjeiras, o cartunista decidiu se mudar para o Rio de Janeiro e montar uma produtora de animação, a Toscographics. Mas foi só em 2006 que, através de uma amiga, surgiu o convite para fazer a ilustração da camisa do bloco.

Eu sabia que o bloco existia, mas não conhecia a trajetória, depois fiquei mais por dentro. Não fui nas Laranjeiras quando ele saiu porque tenho um pequeno problema de fobia social, mas fiquei honrado de me pedirem para fazer uma camisa de bloco no Rio, cidade que escolhi para viver desde 1999.

tirassieberAssim como em suas tiras, Sieber não abandona o tom de crítica, mesmo com o carnaval. “Eu vejo a festa como uma época genuinamente esperada pelo povo, para o bem e para o mal. É hora de esquecer as mazelas e beber de manhã. Tenho alguns pés atrás com marchinhas homofóbicas e racistas e a questão dos indivíduos que se reprimem o ano inteiro para se “soltar” nesses 5 dias. Por esse lado é meio deprimente. Mas de fato em vários momentos é uma festa muita bonita e genuinamente popular. O que eu acho repulsivo mesmo são aqueles desfiles na Sapucaí, uma espécie de encontro do Cirque du Soleil com um travesti de outro planeta”, comenta.

Mas para as crianças que aproveitam o desfile do Gigantes, Sieber tentou resgatar uma outra imagem da festa. Segundo ele, “queria buscar algo que tivesse a ver com carnaval antigo, o menos “tecnológico” possível. A imagem do palhaço me agrada, então o coloquei ladeado por duas crianças. Acho que ficou uma imagem ingênua, de felicidade de criança, essas coisas. Era isso o que eu buscava. Me choca profundamente ver crianças hiperssexualizadas na época do Carnaval, é terrível. Isso devemos sem dúvida a Bahia e a gênios como Carla Perez, Ivete Sangalo e Cumpadre Washington”.

Camisa 2005

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Arte: Guto Lins (designer)

Guto LinsGuto Lins é designer formado pela ESDI em 1985 e professor do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. É sócio de Adriana Lins no escritório de design Manifesto, atuando principalmente no mercado editorial, fonográfico e de entretenimento. “Desde a faculdade já trabalhava com design gráfico, ilustração e literatura infantojuvenil”, conta Guto, que já esteve presente em algumas edições das bienais de ilustração de Barcelona, Bratslava e Bolonha.

A forma como criei essa ilustração foi muito divertida. Eu estava brincando com várias alternativas quando o palhaço simplesmente respingou na minha frente

Ele conta que conheceu o Gigantes por intermédio de vários amigos e assim veio o convite de alguns deles para ilustrar a camisa do bloco. “Aceitei na hora! Eu tenho uma relação com o carnaval que vem desde criança, quando minha familia tinha um bloco em Guarapari que saía 2 vezes por carnaval, durante varios anos”, afirma.

Camisa 2004

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Arte: Nani (cartunista)

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Ernani Diniz Lucas, mais conhecido como Nani, é um dos grandes nomes do humor brasileiro, cartunista da geração d’O Pasquim junto de nomes como Jaguar, Henfil e Millôr. Começou sua carreira em Belo Horizonte, em 1971, publicando charges em O Diário. Em 1973, graças à colaboração com O Pasquim, mudou-se para o Rio de Janeiro e, junto com seis outros artistas, criou O Pingente.

Para Nani, o desejo de desenhar veio desde cedo. “Aos 13 anos, ao ver uma revista de cartuns, eu disse a mim mesmo: “isso eu sei fazer”. Sentei, comecei a fazer cartuns e não parei mais. Hoje tenho 63 anos, isso quer dizer que são 50 anos nessa de humorista”, constata o chargista, que também trabalhou no Jornal da Globo e colaborou na MAD brasileira.

Como morador de Laranjeiras, não poderia tardar para haver uma parceria com o bloco de carnaval mais simpático da região. Em 2004, Nani cria a arte para a camisa do Gigantes da Lira por convite de Adréa Cals, autora da camisa de 2001.

Fiz o desenho com a maior alegria. Pensei numa coisa alegre e colorida, como o carnaval. O Gigantes da Lira é um bloco fofo. Quer coisa mais linda do que ver crianças fantasiadas?

Nani afirma possuir “alma carnavalesca”, coisa que vem de família: “Sou mineiro de Esmeraldas e na minha cidade sempre existiu carnaval de rua. Minha mãe fazia fantasia pra gente desde que éramos bebês. Já me fantasiei de tudo: índio, pirata, príncipe, Bat Masterson, Cabo Rusty  (do Rin-tin-tin) e até de Tomate. Minha mãe nunca parou de sair no carnaval, mesmo velhinha saía no bloco de amigas dela.” Para ele, no entanto, o ritmo já é um pouco diferente. “Não brinco mais, mas gosto de ver o carnaval de rua aqui do Rio de Janeiro, o rosto das pessoas felizes, com um toque carnavalesco no figurino e aquele ar de que querem dizer: “eu-sou-assim-e-os-outros-362-dias-que-se-danem”.

Camisa 2003

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Arte: Ivan Zigg (ilustrador, escritor e performer)

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Casado com Danielle e pai de Antônio e Miguel, Ivan Zigg começou a frequentar o desfile dos Gigantes da Lira nos primeiros anos do bloco. “Conhecia a Yeda, criadora do bloco, quando morava perto da Rua General Glicério e tinha filhos pequenos. Pessoalmente eu não sou muito ligado e não vivo muito o carnaval, observo de longe. O bloco em que mais vezes saí foi o Gigantes da Lira, que tem um clima mais família e funcionou bem com os meus filhos”, relata. Algum tempo depois, em 2003, Zigg foi convidado para fazer a ilustração para a camisa do Gigantes.

Procurei conciliar no desenho os elementos do bloco. A imagem de um palhacinho em cima de um pandeiro traz essa alegria do carnaval e a ideia do lúdico

Reconheço o valor dos blocos de rua como algo muito positivo no Rio de Janeiro nos últimos anos e o Gigantes da Lira foi um dos grandes responsáveis por reestabelecer essa cultura carioca para voltarmos a ocupar as rua”, diz ele. Carioca, Ivan Zigg é um artista múltiplo. Ilustrador, escritor, músico e ator, suas ilustrações estão presente em mais de 120 livros infantis, tendo ganho o prêmio Jabuti de Melhor Ilustração para livro infantil em 2004. Também escreve, conta e canta suas próprias histórias e viaja por feiras de livro, escolas e espaços culturais com seu espetáculo teatral De A a Zigg. A temática infantil se mostra muito presente na sua trajetória. “Não tenho uma formação voltada para isso”, conta Ivan, “foi o modo como as coisas foram acontecendo. Gosto de explorar variados formatos além da leitura, como apresentações e contação de histórias, e acabei sendo levado para esse tipo de encontro com as crianças”.

Camisa 2001

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Arte: Andréa Cals (jornalista/produtora)

andreiaEssa é a histórica primeira camisa oficial do Gigantes da Lira, do ano de 2001, estampada com uma foto do desfile onde são mostrados o Dr. Giramundo, a primeira versão do Boneco Gigante, artistas de perna de pau e outros personagens e foliões do bloco. A simplicidade da camisa, concebida pela Andréa Cals, na época produtora do Gigantes, retrata aqueles anos iniciais do bloco mirim, fundado em 1999 e que desde então só veio a crescer.

Jornalista de formação pela UFF, Andréa sempre foi ligada à área artística e cultural, especialmente o cinema, possuindo uma consolidada trajetória. Foi atriz e assessora de imprensa de cultura, tendo trabalhado com muitos artistas de teatro, artes plásticas, música e cinema. Atualmente Andréa foi convidada a fazer parte da equipe do Canal Curta!, novo canal de TV por assinatura, onde é curadora, produtora, jornalista e apresentadora.

Embora eu goste e respeite os desfiles oficiais, o carnaval para mim só tem sentido na rua. É ali que o povo realmente se solta, extravasa, se diverte e cria uma energia incomparável, que faz com que a cidade do Rio de Janeiro seja o que ela é: linda.

A criação de camisas temáticas a cada carnaval, que hoje já é tradição, surgiu como forma de arrecadar algum dinheiro para o recém-formado bloco. “Yeda, sempre muito inquieta e criativa, pensou nisso porque na época saía tudo do nosso bolso. Veio então a ideia de pedir a amigos desenhistas que fizessem um desenho pra camisa”, revela. A parceria com Andréa, muito bem sucedida, durou 10 anos. Apesar de não fazer mais parte da equipe, ela continua afetivamente ligada ao bloco, onde sai sempre que tem a oportunidade.

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